Atualização editorial · setembro de 2026. Em 2025, a pergunta era se viajar aos Estados Unidos ficaria mais simples. A resposta de 2026 é mais interessante: a experiência ficou mais digital em vários pontos, mas o processo de visto tornou-se mais seletivo e mais dependente de planejamento.

O que mudou desde a análise de 2025

Quando escrevi sobre esse tema em fevereiro de 2025, Copa do Mundo de 2026 e Olimpíadas de Los Angeles 2028 apareciam como pressão para modernizar a experiência de entrada. Parte dessa modernização avançou: biometria, Global Entry e processamento digital estão cada vez mais presentes. Mas, no visto de visitante, a trajetória não foi simplesmente de flexibilização.

Para brasileiros, o B1/B2 continua sendo a referência para turismo e negócios e pode ter validade de até 120 meses quando emitido com validade plena. O ponto mais importante em 2026 é entender que digitalização e facilitação não significam menor rigor consular.

1. A dispensa de entrevista ficou mais estreita

Desde outubro de 2025, a regra geral voltou a ser entrevista presencial para a maioria dos solicitantes de vistos de não imigrante. Entre as exceções relevantes estão renovações B1/B2 feitas em até 12 meses após o vencimento do visto anterior, desde que o visto anterior tenha sido emitido com validade plena, o solicitante tivesse pelo menos 18 anos na emissão e cumpra os demais critérios.

Mesmo nesses casos, a dispensa não é automática. O consulado pode pedir entrevista a qualquer momento. Isso muda o planejamento: quem antes contava com janelas mais amplas para renovação sem entrevista precisa olhar a data de expiração com muito mais atenção.

2. Em 2026, o país onde você aplica também ganhou peso

Em julho de 2026, o Departamento de Estado reforçou que solicitantes de vistos de não imigrante devem marcar entrevista no país de nacionalidade ou residência. Quem aplica com base em residência precisa conseguir demonstrá-la.

Na prática, isso reduz a atratividade do chamado visa shopping — buscar um terceiro país apenas porque a agenda parece mais rápida. Para o viajante brasileiro, a estratégia mais sólida continua sendo organizar o processo no Brasil e trabalhar com antecedência.

3. Há mais tecnologia na fronteira — e isso pode melhorar a experiência

A CBP expandiu o uso de comparação facial em aeroportos internacionais e nos portais touchless do Global Entry. Para viajantes aprovados no programa, o processo pode ser significativamente mais fluido na chegada.

Brasileiros continuam elegíveis ao Global Entry, mediante aprovação, taxa e entrevista. Para quem viaja com frequência aos Estados Unidos, isso pode gerar mais valor do que esperar por uma grande mudança estrutural no visto turístico.

4. Urgência ganhou uma opção premium — mas limitada

Em agosto de 2026, o Departamento de Estado iniciou um piloto voluntário de agendamento acelerado em postos selecionados. Em locais participantes, solicitantes elegíveis de vistos B podem pagar uma taxa adicional de US$ 750 para tentar uma entrevista em até 10 dias úteis, sujeita à disponibilidade, além da taxa consular normal.

O ponto não é recomendar essa rota — o piloto não está disponível em todo lugar. O sinal estratégico é outro: o sistema americano está testando formas de precificar urgência sem reduzir os requisitos de segurança e elegibilidade.

5. Então ficou mais fácil?

Eu diria que ficou mais previsível para quem entende o sistema e mais arriscado para quem deixa para a última hora. A experiência física de entrada está mais tecnológica, mas o processo consular exige atenção maior a critérios, residência e timing de renovação.

Para destinos e empresas de turismo, isso também importa. Fricção de visto não é detalhe operacional: influencia intenção, antecedência de compra, conversão e até escolha de destino. O viajante compara não só preço e experiência — compara também o esforço necessário para chegar.

O que vale observar rumo a 2027

Três movimentos merecem acompanhamento: expansão do processamento biométrico; eventual ampliação ou encerramento do piloto de entrevistas aceleradas; e capacidade consular antes do ciclo de viagens que antecede Los Angeles 2028.

Minha leitura continua a mesma em um ponto: competitividade turística também é experiência de acesso. Um destino pode investir bilhões em marketing, mas se a primeira etapa da jornada parecer imprevisível, parte da demanda se perde antes do embarque.

Fontes e referências

Artigo original · LinkedIn · fevereiro de 2025
U.S. Department of State · Interview Waiver Update
U.S. Department of State · Country of Residence Guidance · julho 2026
U.S. Department of State · Expedited Appointment Pilot · agosto 2026
CBP · Global Entry Eligibility · julho 2026