Leitura LTH · setembro de 2026. A lição coreana não é “usar celebridades para promover turismo”. É construir um ecossistema cultural capaz de gerar curiosidade, repertório e motivos concretos para viajar.

A Hallyu — a onda cultural coreana — mostra como cultura pode deixar de ser apenas promoção e se tornar infraestrutura de demanda. K-pop, K-dramas, cinema, gastronomia, beauty, fashion e gaming criam múltiplos pontos de entrada para o mesmo destino.

O desejo começa muito antes da campanha turística

Uma pessoa pode conhecer Seul por uma série, aprender coreografias de K-pop, consumir cosméticos coreanos, experimentar kimchi em sua cidade e só depois considerar uma viagem. Quando o turismo entra na conversa, a marca do destino já foi construída por anos de exposição cultural.

A Travel + Leisure descreve Seul como um hub de food, art, film, television, literature, beauty e fashion, reconhecendo que parte importante dessa energia vem da Korean Wave. Em 2026, até roteiros inspirados em fenômenos de entretenimento começaram a transformar narrativa pop em produto turístico comercial.

Influência cultural funciona porque é distribuída

Não existe um único canal. Música, streaming, redes sociais, cinema, creators, fandoms e eventos amplificam uns aos outros. Isso reduz a dependência de campanhas tradicionais de destination marketing.

O produto turístico precisa acompanhar o imaginário

O erro seria criar apenas photo spots. Quando cultura gera demanda, o destino precisa oferecer experiências capazes de aprofundar o repertório: bairros, comida, performances, workshops, moda, história, patrimônio e encontro com criadores.

O Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia já trabalha essa convergência de maneira explícita. Em 2025, o My K-Festa reuniu K-pop, fashion, K-food e lifestyle e recebeu cerca de 17 mil turistas internacionais entre mais de 46 mil participantes.

Soft power vira turismo quando influência cultural encontra produto, distribuição e experiência no território.

Seul é um caso de destination branding em camadas

A cidade não depende de um único ícone. Patrimônio histórico, design, tecnologia, cafés, nightlife, gastronomia e cultura pop coexistem. Isso cria razões diferentes para perfis diferentes visitarem o mesmo lugar — e aumenta a frequência com que o destino aparece na vida cotidiana de futuros viajantes.

O que outros destinos podem aprender

Não se trata de copiar K-pop. Trata-se de identificar ativos culturais autênticos, investir em ecossistemas criativos, facilitar distribuição internacional e transformar atenção em experiências reserváveis. Cultura não deve ser tratada como decoração de campanha; ela pode ser um motor econômico.

Fontes e contexto

Travel + Leisure · Seoul and the Korean cultural wave · Travel + Leisure · culture transformed into itinerary · Korea MCST · 2025 My K-Festa