Leitura LTH · setembro de 2026. Uma cidade pode liderar em volume sem liderar em competitividade total — e pode ser extremamente competitiva sem ser a maior em chegadas. Essa diferença é estratégica para qualquer destino urbano.

Em 2025, as 100 principais cidades turísticas do mundo foram projetadas para receber 702 milhões de viagens internacionais, alta de 8% e equivalente a 46% do inbound global, segundo a Euromonitor International. Bangkok liderou as chegadas internacionais, com cerca de 30 milhões. Paris, por outro lado, permaneceu no topo do índice geral de destinos urbanos.

Volume e competitividade não são a mesma coisa

A Euromonitor mede cidades por pilares que vão além de chegadas: desempenho econômico e empresarial, infraestrutura, política turística, atratividade, saúde e segurança e sustentabilidade. Isso cria uma distinção importante entre ser muito visitado e ser estruturalmente competitivo.

Bangkok combina conectividade regional, preço, transporte urbano, hotelaria e forte capacidade de funcionar como gateway para outros destinos da Tailândia. Paris combina infraestrutura, marca global, cultura, eventos, mobilidade e um ecossistema turístico de altíssima maturidade.

Grandes cidades vendem camadas de produto

O visitante pode chegar por negócios e ficar por gastronomia. Pode vir por um evento e acrescentar cultura. Pode usar a cidade como hub e estender a viagem. É essa densidade de motivos que aumenta permanência, gasto e resiliência.

A competitividade urbana nasce justamente da sobreposição de camadas: aviação, hotelaria, entretenimento, calendário de eventos, comércio, bairros, mobilidade, segurança, vida noturna e reputação digital.

Conectividade é produto

Novos terminais, aeroportos mais eficientes, ferrovia e transporte público não são apenas infraestrutura. Eles alteram a experiência percebida e ampliam a capacidade de um destino de transformar intenção em viagem.

A cidade que reduz fricção ganha antes de o visitante chegar — e continua ganhando enquanto ele circula.

O próximo desafio é qualidade, não somente quantidade

As cidades mais bem-sucedidas começam a enfrentar um paradoxo: crescimento pode deteriorar aquilo que gerou atratividade. Pressão sobre moradia, mobilidade, patrimônio e residentes transforma gestão de demanda em parte do produto turístico.

Por isso, a pergunta relevante para 2027 não é apenas quem receberá mais visitantes. É quais cidades conseguirão aumentar valor, distribuir fluxo, preservar qualidade de vida e continuar desejáveis para moradores e viajantes.

O que isso significa para destinos

Uma estratégia urbana deveria acompanhar não apenas chegadas, mas mix de mercados emissores, permanência, gasto, ocupação por bairro, calendário de eventos, conectividade, percepção de segurança e satisfação dos residentes. O ranking é uma consequência. O sistema competitivo vem antes.

Fontes e contexto

Euromonitor International · Top 100 City Destinations Index 2025 · Travel + Leisure · Bangkok, most-visited city in 2025