Atualização editorial · setembro de 2026. Esta análise atualiza o tema de planejamento de viagens com dados do primeiro semestre e do início do H2 2026, evitando tratar a jornada como um funil linear.

O funil ficou pequeno para explicar a viagem

Durante anos, desenhamos a jornada como uma sequência: inspiração, pesquisa, comparação, reserva e experiência. Essa estrutura ainda ajuda a organizar trabalho interno, mas descreve cada vez menos o comportamento real do viajante.

Hoje uma pessoa pode descobrir um destino em vídeo, pedir um roteiro à IA, voltar ao Google, comparar numa OTA, acompanhar preço, perguntar a amigos, reservar diretamente e reabrir todo o planejamento quando clima, câmbio ou evento muda.

A busca continua forte, mas já não trabalha sozinha

A Expedia mostrou em abril de 2026 que apenas 8% dos viajantes pesquisados nos Estados Unidos e Reino Unido dependiam de chatbots e agentes de IA para planejar uma viagem, contra 59% que usavam buscadores e 49% que usavam OTAs.

Isso não significa que IA seja irrelevante. Significa que a transição é híbrida. Novas interfaces entram na jornada sem eliminar imediatamente as anteriores, criando mais pontos de contato e mais caminhos até a compra.

IA está crescendo primeiro onde o risco é menor

Entre brasileiros que usaram IA em viagens, 44% recorreram à tecnologia para atividades e restaurantes, 36% para preparação e 34% para comparar opções ou buscar hospedagem. Só 18% disseram tê-la usado para efetuar reservas.

É um padrão racional: delegamos primeiro tarefas reversíveis e de baixo risco. A compra exige confiança, pagamento, política de cancelamento e alguém responsável quando a viagem sai do plano.

O H2 2026 reforça que demanda também reage ao contexto

Dados de busca da Expedia mostram que o início de 2026 teve crescimento de intenção, seguido por enfraquecimento de confiança diante da incerteza geopolítica e recuperação na segunda metade do segundo trimestre. No começo de junho, as buscas domésticas globais cresceram mais de 10% em uma semana.

Planejamento, portanto, não é apenas intenção acumulada. É intenção que pode acelerar, adiar ou mudar de direção conforme notícias, preço, segurança e confiança.

As janelas de planejamento estão mais fragmentadas

O mesmo mercado abriga o viajante que organiza férias com meses de antecedência e aquele que espera até perto da partida. No H2, ainda há quem esteja reservando o verão enquanto outros já pesquisam outono e fim de ano.

Para empresas e destinos, isso exige conteúdo e oferta para diferentes estados de prontidão. Uma única campanha com uma única mensagem dificilmente cobre toda a curva de decisão.

Conteúdo precisa responder a decisões, não apenas inspirar

Se IA e busca conseguem entregar rapidamente listas de lugares, o conteúdo genérico perde valor. Cresce a importância de material que ajude a decidir: melhor época, diferenças entre regiões, trade-offs, logística, orçamento, acessibilidade, segurança, duração e combinações de roteiro.

É também por isso que autoridade importa. Quanto mais conteúdo sintético existe, mais valioso se torna saber de onde vem a recomendação e por que ela merece confiança.

Para destinos, estar disponível não basta: é preciso ser legível

Uma interface de IA só consegue recomendar bem aquilo que consegue compreender. Informações fragmentadas, desatualizadas ou escondidas em peças visuais dificultam descoberta e comparação.

DMOs e empresas precisam pensar em uma camada de informação estruturada: produtos claros, localização, horários, sazonalidade, preços quando aplicável, políticas, idiomas e conteúdo que explique para quem aquela experiência faz sentido.

Planejamento virou relacionamento contínuo

A maior mudança talvez seja esta: o planejamento não termina na reserva. Preço, clima, mobilidade, eventos, restaurantes e atividades continuam sendo reorganizados até a viagem — e muitas vezes durante ela.

Quem permanece útil depois da conversão aumenta a chance de capturar mais valor, reduzir ansiedade e construir recorrência. Em uma jornada menos linear, o ativo estratégico não é controlar cada etapa. É continuar relevante quando a próxima decisão acontece.

Fontes e referências

Booking.com · IA no planejamento de viagens no Brasil, mai 2026
Expedia Group · AI Trust Gap, abr 2026
Expedia Group · Q2 Traveler Insights, mai 2026
Expedia Group · Q3 Traveler Insights, ago 2026